Andorinhas

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Créditos: Inês Souto Félix https://www.behance.net/inessoutofelix

Andorinha de asa negra aonde vais?
que andas a voar tão alta
Leva-me ao céu contigo, vá
Qu’eu lá de cima digo adeus ao meu amor

Ó andorinha
da Primavera
Ai quem me dera também voar
Que bom que era
Ó andorinha
na Primavera
também voar

(Letra: Pedro Ayres Magalhães / Intérprete: Madredeus in ‘Paraíso’)

Não me parece exagerado dizer que as andorinhas são um símbolo português e de Portugal. Não são aves unicamente Portuguesas – há mais 80 espécies de andorinhas a nível mundial – mas cedo se adotou este animal como um símbolo do imaginário Português. Há murais, esculturas, pinturas, textos, música, produtos alimentares, roupa e tudo o mais que consigamos imaginar que retratam este pássaro primaveril.

Conhecem-se cinco espécies de andorinhas em Portugal que todos os anos anunciam a Primavera: andorinha-dos-beirais, andorinha-das-chaminés, andorinha-daúrica, andorinha-das-barreiras e a androinha-das-rochas.

Esta ligação nacional a esta ave de asas negras e silhueta inconfundível, deve-se a Rafael Bordalo Pinheiro que, no final do século XIX produziu pequenas andorinhas em cerâmica na sua fábrica das Caldas da Rainha e que ele mesmo tinha desenhado. Foi também pelas mãos de Bordalo Pinheiro que nasceu o Zé Povinho, outro símbolo do imaginário Português e que serve como metáfora para o povo português no geral.

Não se sabe ao certo o que fez com que as andorinhas se tornassem tão importantes e assumissem um papel tão central da cultura popular portuguesa, mas acredita-se que, muito à moda portuguesa, esteja relacionado ao domínio do romântico.

Diz-se que as andorinhas são símbolos de amor e lealdade, mas também de lar e família, sentimentos estes que estão bem enraizados na cultura portuguesa. Após voos de longa distância à procura de climas mais amenos, as andorinhas constroem o seu ninho no mesmo sítio ano após ano. São também criaturas que, ao longo das suas vidas, têm um único parceiro.

Embebidas em tal significado, as andorinhas de cerâmica de Bordalo Pinheiro e outras representações desta ave são comummente trocadas entre pessoas enamoradas, realçando a conotação das mesmas com os sentimentos de amor, lealdade, lar e família.

Hoje em dia, leia-se desde há muitas décadas, pode-se entender o universo destas aves migratórias como uma bonita analogia ao povo português em geral; um povo que sempre estendeu as asas e saiu do ninho para explorar outros cantos do mundo, mas que tende a regressar a casa uma vez por ano.

 

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